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sexta-feira, 20 de maio de 2011

A homofobia começa na escola?

Hoje pela manhã, li na Gazeta do Povo Online o artigo "Atos de homofobia começam na própria escola". Fiquei triste com o resultado da pesquisa...

Sou professora, e sei bem como é o preconceito no ambiente escolar e também em setores ligados a Educação, justamente os locais onde as pessoas deveriam dar o exemplo de "respeito ao diferente". Percebo que existem muitos colegas que carregam em si o preconceito, mesmo quando negam ser preconceituosos...

É uma pena que muitos educadores ainda não conseguiram se desvencilhar das amarras deste sentimento tão negativo. Se o o aluno observa o próprio professor fazendo comentários preconceituosos, não podemos esperar que este mesmo professor o eduque contra a homofobia! De nada adianta a escola receber materiais maravilhosos para trabalhar sobre o tema com os alunos se o professor que deveria utilizá-lo o repudia sem mesmo conhecer seu conteúdo.

Aqui no meu blog, após vivenciar algumas situações ligadas a homofobia, postei dois textos onde falo sobre minha indignação contra esse sentimento tão odioso: "A diversidade e o respeito" e "Ser ou não ser? Eis a questão..."

Mas gostaria de ressaltar que não podemos culpar os professores, dizendo que a homofobia começa na escola! Essa é uma questão diretamente ligada a cultura da sociedade, da família na qual o indivíduo recebe sua formação moral e de valores. Podemos dizer então que ele cresceu recebendo informações negativas e com grande carga de preconceito quando se tratava de discutir relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo. Por fim, acaba por reproduzir as mesmas falas e posturas com outras pessoas de seu convívio. Por isso a importância de se educar a criança contra a homofobia, e quebrar esse ciclo...

Fonte da imagem: gstatic.com


sábado, 30 de abril de 2011

Ser ou não ser? Eis a questão...

Tenho percebido que o preconceito contra os homossexuais não é exclusivo de pessoas menos esclarecidas (culturalmente falando). Ele está impregnado na mente das pessoas, em sua forma de criação e não mudará até que elas consigam raciocinar e aceitar que a orientação sexual não é uma questão de escolha. A pessoa é o que ela é...
Todos nascemos com todas as informações de como seremos, “carimbadas” em nosso DNA, e isso é inevitável... Aliado a este fator, durante a formação do indivíduo, ele estará exposto a diferentes estímulos sensoriais, desenvolvendo seu caráter e personalidade... Portanto, ninguém é igual a ninguém. Nem mesmo gêmeos idênticos possuem a mesma personalidade!
Contrapondo a opinião de muitos, a orientação sexual do indivíduo não é uma escolha e muito menos uma doença, como alguns grupos afirmam... Ninguém se levanta um belo dia e diz: “Estou a fim de chocar a sociedade. Vou ser homossexual”. Como também, não existe um botão para selecionar a orientação sexual que deve ser escolhida...
Por que as pessoas se carregam de preconceito e tem tanta dificuldade para aceitar que existe biodiversidade sexual e que o mundo não é exclusividade dos héteros? Aliás, essa é uma característica existente em outras espécies de seres vivos também. É só observar a natureza!
A relação homossexual existe desde antes de Cristo, e acredito que sempre existirá. A única coisa que percebo na atualidade, é que muitos jovens e adolescentes estão aprendendo sobre a sexualidade com menos reservas, com mais abertura para esclarecimento de dúvidas. Muitos aprendem que a sexualidade é algo particular de cada um, e que não existe uma regra de comportamento única a ser seguida.Talvez por isso é que  os adolescentes de hoje que se descobrem homossexuais, parecem ser  “mais descolados” e resolvem assumir sua orientação sexual sem nenhuma culpa. Isso acaba irritando profundamente algumas pessoas!
O que mais me chama a atenção em alguns comentários, é a convicção de que existe apenas um “comportamento sexual”  adequado aos padrões sociais. Não  é para menos, pois numa sociedade como a nossa, onde a organização familiar existe para a “procriação”... Já perceberam que mal as pessoas se casam, já são questionadas quando irão ter filhos? É uma pergunta de praxe, não é mesmo? Acredito que seja por isto o discurso de alguns, afirmando que Deus nos criou homem e mulher, cada um com seus respectivos órgão sexuais, “encaixe natural perfeito”... Ora, sendo assim, o que dizer de muitas pessoas que utilizam outras partes do corpo para obter prazer, de “maneira inadequada”, longe dos “olhos controladores” da sociedade? Neste sentido, a boca e a língua são órgãos digestivos e da fala, e não foram criados para beijar ou para realizar sexo oral... O ânus foi criado para eliminar dejetos digestivos, e no entanto muitos casais heterossexuais se utilizam deste órgão também para obter prazer! Que dizer de outras práticas... Há tanta criatividade quanto o assunto é o sexo! Aí é que se escancara a “máscara da hipocrisia” e do falso puritanismo!!!!!
Por que um abraço ou beijo entre homossexuais é tão chocante, mesmo se for em uma fotografia ou numa cena de TV ou filme? Para mim, qualquer manifestação explícita ou  “pegação” em público é vulgar, seja ela homo ou heterossexual. Um beijo, um abraço, é apenas uma manifestação de afeto, de carinho...
O que me choca e me deixa enojada, é a posição de muitas famílias que “obrigam” a pessoa a ser aquilo que ela não é! Preferem vê-la infeliz e doente, escondendo seus sentimentos e mantendo as aparências. Não importa se isto também está causando sofrimento a outros! Ou se ela prefere expor sua orientação sexual, é tratada com desprezo e indiferença. Por isto muitos acabam optando em esconder sua condição. Esconder da sociedade, é difícil, mas não é impossível, não é? Porém, ninguém consegue esconder de si mesmo e de alguém de sua convivência íntima, a sua preferência sexual. E ao longo dos anos, esconder-se por detrás de uma pessoa fictícia, forçadamente, pode acabar tendo consequências desastrosas! Frustração, infelicidade, depressão, baixa autoestima e até pensamentos suicidas!
Tanto sofrimento que o preconceito acarreta!
Para mim, o preconceito contra a homossexualidade é uma violência assim como o preconceito racial, o preconceito social, o preconceito contra o deficiente, o preconceito religioso... Aliás, toda  forma de preconceito deveria ser abominada e punida. Escolher a liberdade de ser quem realmente somos, no íntimo, é a melhor coisa, e é o que nos leva a viver a vida da melhor maneira: com alegria e felicidade!!!
E, a bem da verdade, as pessoas que se sentem incomodadas na presença de homossexuais, deveriam buscar o motivo de tal fenômeno. Indivíduos que são resolvidos em relação a sua própria sexualidade costumam encarar com naturalidade e tratam com respeito a sexualidade dos outros...

segunda-feira, 25 de abril de 2011

A diversidade e o respeito

Lidar com a diversidade, seja ela qual for, é muito difícil para a maioria das pessoas. Mas não se pode “fechar os olhos” para ela...



Enquanto pais e educadores, temos a obrigação de orientar, desde a infância para que o indivíduo aprenda a respeitar as diferenças, pois isto tornará mais fácil a convivência social. Afinal, se queremos e pedimos tanto um mundo justo e harmonioso, temos que cumprir esta tarefa que nos é designada!
As diversas formas de preconceito são frutos da ignorância, do medo do diferente, e, consequentemente, geram a intolerância. Geralmente os pequenos acabam reproduzindo o que observam nos pais (ou em outros adultos próximos a ele), não somente a forma como eles se dirigem às pessoas do seu cotidiano, mas também a maneira como encaram seus comportamentos e atitudes...
Se em nossa família existe o preconceito, precisamos lutar contra ele, e a melhor maneira é vencer esta “ignorância” ou falta de conhecimento sobre o assunto), promovendo o diálogo. O diálogo sobre as diferenças individuais entre as pessoas é muito mais produtivo que qualquer discurso que se faça a respeito. Deixando que a criança ou o adolescente se expresse, conseguimos com que sejam expostas as dificuldades e conflitos para lidar com todas estas diferenças. Esta ação ainda produz mais conhecimento sobre o assunto, o que afasta o preconceito.
Quando na família ou na escola são transmitidos os valores de respeito às diferenças individuais, as pessoas que estão envolvidas neste processo realmente aprendem a viver!
No caso da orientação sexual, é preciso ensinar por atitudes e exemplos, que precisamos respeitar o outro da maneira como ele é, sabendo reconhecer suas qualidades.
Posso dizer que fui criada em uma família onde as diferenças individuais sempre foram respeitadas, e portanto, sempre tive o preconceito como algo “horrível”. Meu círculo de amizades sempre foi “diverso” devido a minha empatia e sociabilidade. Consequentemente, a convivência com vários tipos de pessoas, procurando entender e aceitar suas individualidades, me ajudou muito nas decisões que tive que tomar em minha vida pessoal.
Como mãe, procuro transmitir aos meus dois filhos a importância do respeito “ao diferente” e a necessidade de buscar o que as pessoas tem de melhor a nos oferecer. Mas, infelizmente, ainda temos que nos deparar com pessoas extremamente preconceituosas, que preferem “dar as costas” ao diferente a ter que compreender e aceitar o modo de vida de cada um. E isso se torna ainda mais triste quando são pessoas do vínculo familiar...


"Aquele que reconhece o valor de alguém pelas batalhas que enfrenta, e não pelo que aparenta, jamais será preconceituoso."
(Luis Carlos de Menezes)