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domingo, 1 de junho de 2014

Jogos Vorazes


Eu te proponho
Sentimento raro
Roçar de corpos
Noites em claro


Eu te proponho
Suor e devaneios
Arrepios e calor
Se perder entre meus seios...

Eu te proponho
Sensações em profusão
Cumplicidade
Desejo e diversão

Eu te proponho
Carinhos sem medida
Orgasmos delirantes
E de brinde uma mordida...

Eu te proponho
Desafios e aposta
E vou avisando
Aceito contraproposta!


----Ciça----

Imagem: Casal Apaixonado, tela de Alexandra.
(respeite os direitos autorais mantendo os créditos)

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Desejos


Não, não sou seu bebê...
Não quero este tipo de amor.
Sou amante, a sua mercê
Quero então, todo seu furor
Quero a tua ousadia
Quero impetuosidade
Carinhos em demasia
Pra falar a verdade,
Quero a lascívia
Quero cumplicidade
Quero autonomia
E também liberdade
Quero ser sua mulher
Desprovida de pudores
E possa de você receber
Todos os tipos de amores


Ciça

* Comecei o dia inspirada!! A inspiração pra esta poesia veio de uma postagem, da minha amiga Jamili Lopes, sobre a mulher que queria ser amada como um bebê...

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Simetria


Somos o "par perfeito"
Peças do mesmo tabuleiro
Eu assim, você do seu jeito
Fazemos nosso próprio roteiro

Apesar de diferentes
Juntos, somos iguais
Na devassidão, fluentes
Buscamos sempre mais

Se te desejam, isto me excita
Se me cobiçam, ficas satisfeito
Nos pertencemos, admita!
Sou tua, és meu...não tem jeito

Regras e convenções? Não seguimos.
Buscamos apenas o que nos dá prazer
Um tesão louco, é o que sentimos
Te faço delirar, de desejo arder

Nosso amor não tem limites
Nem tentem nos repreender!
Saciamos os nossos apetites
Gente normal nunca vai entender

Ciça

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A magia de um tango


Uma vez me disseram que dançar tango é como fazer amor: é preciso muita cumplicidade.
Não sei dançar tango, mas creio que há muita verdade nisso...



O QUE FAZ DE UM TANGO UM TANGO*
"O que faz de um tango um tango não são as letras lamuriosas. O que faz de um tango um tango não é o Gardel morto que canta cada vez melhor. O que faz de um tango um tango não são os passos ensaiados na tradição. O que faz de um tango um tango não é a orquestra com o ar cansado de quem tudo já viu. O que faz de um tango um tango não são as pernas altas da dançarina, calçadas em meias pretas. Não é seu cabelo preso ora com flor, ora com fita. O que faz de um tango um tango não é o chapéu antigo do dançarino. Não são os seus sapatos lustrosos. Não é o seu terno de risca-de-giz. Não é o seu lenço dobrado no bolso da lapela. O que faz de um tango um tango não é Buenos Aires. Não é qualquer geografia. O tango não está no mundo das latitudes, das longitudes, das cartografias, dos guias turísticos.

O que faz de um tango um tango é a atração e a repulsa. É a tentação e o medo. É o afeto e a raiva. O que faz de um tango um tango é ela seguindo na mesma direção dele, e ele seguindo na mesma direção dela, até que um tenta fugir e o outro tenta impedir, numa alternância de fugas que se querem e não se querem. O que faz de um tango um tango é a dor de um e de outro transformada em coreografia simétrica. O que faz de um tango um tango é o encontro que se desencontra e se reencontra. O que faz de um tango um tango são os volteios do amor dos poemas clássicos, das canções dos trovadores. Os volteios do amor que bebe no prazer e na fúria. Os volteios do amor que se amorna e logo torna a incandescer. O que faz de um tango um tango é o amor que, na iminência de um final que se prenuncia infeliz, acha o final feliz. Porque nunca em um tango que é tango os dançarinos terminam separados, descolados, deslocados.

O que faz de um tango um tango sou eu dentro de você na carne e você dentro de mim na alma, depois do último acorde, depois do último aplauso, depois da última lágrima, depois do último gozo. O que faz de um tango um tango é a música que se quer silêncio. O silêncio dos amantes."

*Publicado no caderno Ilustríssima, da Folha de S. Paulo, em 19 de setembro de 2010. Este conto foi publicado originalmente, em inglês, no jornal literário britânico “The Drawbridge”, com o título “Tender anger soothed”.