Não, não sou seu bebê... Não quero este tipo de amor. Sou amante, a sua mercê Quero então, todo seu furor Quero a tua ousadia Quero impetuosidade Carinhos em demasia Pra falar a verdade, Quero a lascívia Quero cumplicidade Quero autonomia E também liberdade Quero ser sua mulher Desprovida de pudores E possa de você receber Todos os tipos de amores
Ciça
* Comecei o dia inspirada!! A inspiração pra esta poesia veio de uma postagem, da minha amiga Jamili Lopes, sobre a mulher que queria ser amada como um bebê...
Somos o "par perfeito" Peças do mesmo tabuleiro Eu assim, você do seu jeito Fazemos nosso próprio roteiro Apesar de diferentes Juntos, somos iguais Na devassidão, fluentes Buscamos sempre mais
Se te desejam, isto me excita Se me cobiçam, ficas satisfeito Nos pertencemos, admita! Sou tua, és meu...não tem jeito
Regras e convenções? Não seguimos. Buscamos apenas o que nos dá prazer Um tesão louco, é o que sentimos Te faço delirar, de desejo arder
Nosso amor não tem limites Nem tentem nos repreender! Saciamos os nossos apetites Gente normal nunca vai entender
Uma vez me disseram que dançar tango é como fazer amor: é preciso muita cumplicidade. Não sei dançar tango, mas creio que há muita verdade nisso...
O QUE FAZ DE UM TANGO UM TANGO* "O que faz de um tango um tango não são as letras lamuriosas. O que faz de um tango um tango não é o Gardel morto que canta cada vez melhor. O que faz de um tango um tango não são os passos ensaiados na tradição. O que faz de um tango um tango não é a orquestra com o ar cansado de quem tudo já viu. O que faz de um tango um tango não são as pernas altas da dançarina, calçadas em meias pretas. Não é seu cabelo preso ora com flor, ora com fita. O que faz de um tango um tango não é o chapéu antigo do dançarino. Não são os seus sapatos lustrosos. Não é o seu terno de risca-de-giz. Não é o seu lenço dobrado no bolso da lapela. O que faz de um tango um tango não é Buenos Aires. Não é qualquer geografia. O tango não está no mundo das latitudes, das longitudes, das cartografias, dos guias turísticos.
O que faz de um tango um tango é a atração e a repulsa. É a tentação e o medo. É o afeto e a raiva. O que faz de um tango um tango é ela seguindo na mesma direção dele, e ele seguindo na mesma direção dela, até que um tenta fugir e o outro tenta impedir, numa alternância de fugas que se querem e não se querem. O que faz de um tango um tango é a dor de um e de outro transformada em coreografia simétrica. O que faz de um tango um tango é o encontro que se desencontra e se reencontra. O que faz de um tango um tango são os volteios do amor dos poemas clássicos, das canções dos trovadores. Os volteios do amor que bebe no prazer e na fúria. Os volteios do amor que se amorna e logo torna a incandescer. O que faz de um tango um tango é o amor que, na iminência de um final que se prenuncia infeliz, acha o final feliz. Porque nunca em um tango que é tango os dançarinos terminam separados, descolados, deslocados.
O que faz de um tango um tango sou eu dentro de você na carne e você dentro de mim na alma, depois do último acorde, depois do último aplauso, depois da última lágrima, depois do último gozo. O que faz de um tango um tango é a música que se quer silêncio. O silêncio dos amantes."
*Publicado no caderno Ilustríssima, da Folha de S. Paulo, em 19 de setembro de 2010. Este conto foi publicado originalmente, em inglês, no jornal literário britânico “The Drawbridge”, com o título “Tender anger soothed”.