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terça-feira, 21 de julho de 2015

Soneto da tragédia poética*


Desafiando as regras universais
Eles e elas dividiram o tablado
Mostrando seus textos, como iguais
Recebiam aplausos no teatro lotado

Aquela sem par a tudo assistia
Analisando quem se apresentava
Energias fluíam entre tanta poesia
Dama de negro paciente aguardava

O anfitrião anuncia a dupla, com humor
O "grand finale", última apresentação
Ela com o pandeiro, ele com o violão

Ver o casal fitar-se com adoração
Desperta na Indesejada muito furor
E ela esmaga o coração do trovador.

Elciana Goedert (Ciça)



Imagem: The Kiss off Death, escultura no cemitério público de Barcelona (respeite os direitos autorais mantendo os créditos)
*narração poética dos fatos ocorridos no dia 17 de julho, no TUC - Teatro Universitário de Curitiba (http://extra.globo.com/noticias/brasil/poeta-morre-apos-sofrer-mal-subito-durante-apresentacao-em-curitiba-16842478.html)

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Catarse

CATARSE

É preciso percepção 
É finda uma fase
Mas nada foi em vão... 

Minha última frase:
"Por que te amo tanto"? 
E interrompi a metástase... 

Não me olhe com espanto
A missão foi cumprida
Cada um pro seu canto... 

Inicio uma nova vida
Sem tê-lo do meu lado
Oculto a minha ferida... 

Pronto! Está extirpado...

Elciana Goedert (Ciça)

Imagem: capinaremos.com
(respeite os direitos autorais mantendo os créditos)

terça-feira, 9 de junho de 2015

Dona de mim...


Um dia, vasculhando em minha memória, 
percebi que tendia a ser coadjuvante. 
Então decidi: serei de agora em diante
a protagonista de minha história. 

----Ciça----

Imagem: edição de imagem da internet, por Elciana Goedert (Ciça)
(respeite os direitos autorais mantendo os créditos)

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Néctar*


O jardim secreto guarda um sabor 
Oculto em cálice com doce seiva, 
O líquido de uma "íntima flor"
Que irá se misturar com saliva.

Frente a ela um homem emudece. 
Aos seus encantos ele se rende. 
Dobra-se. Em silêncio faz sua prece. 
São tantos os apelos que ela atende!

Exala um cheiro que o hipnotiza 
Umedece, emanando intenso calor. 
Com carinhos abre-se dádiva-flor.

Através dela um corpo se exorciza. 
Ah! Bela orquídea de pétala rosada, 
Não sucumbes nem aos golpes da espada!

Elciana Goedert (Ciça)

*Essa poesia está na antologia de poesias eróticas Elas são de Marte - Mulheres sem Censura.
O lançamento será dia 18 de junho, no TUC, aqui em Curitiba. No livro participo com 3 de minhas poesias.

sábado, 2 de maio de 2015

29 de abril - O massacre dos letrados*


Num espaço que é do povo
Exercíamos nossa cidadania
Mas o terror veio de novo
Sob as ordens da tirania

De repente, indefesos
Impotentes, ali no fronte
Tentando nos manter ilesos
Buscando um horizonte

De um lado, força bruta
Do outro, giz e apagador 
Já não era mais uma "luta"
Éramos alvos, gritos e dor

Fomos cegados pelo gás 
Pela borracha marcados
Atingidos mesmo por trás
Por "guardiões dos deputados"

O recado foi bem entendido
"Saiam de nosso território"
A polícia protegeu o bandido
Fato que é público e notório

Fugia do todo entendimento 
Algo cruel e desnecessário
Ataque covarde e violento
Sob comando do "secretário"

Como apagar tal momento? 
Um horror na praça de guerra
Não cairá no esquecimento
Pois ecoou por toda a Terra

Não foram apenas 200 feridos
Venho aqui registrar a verdade:
Dos manifestantes envolvidos
TODOS fomos, em nossa dignidade.

Elciana Goedert (Ciça)



*poema depoimento dos fatos ocorridos no dia 29/04/2015 em Curitiba.
Aqui fala a professora, mãe, poeta, cidadã...
Fotografia: Joka Madruga
(respeite os direitos autorais mantendo os créditos )